sábado, maio 26, 2012
O anti-facebook está condenado a vagar sem sossego sob o teto daquela velha esquina
domingo, maio 13, 2012
Onde está o amor?
Uns afirmam que seu corpo teria sido encontrado em meio aos destroços provocados pela queda de um míssil.
- Erramos o alvo - tentou justificar fria e laconicamente um diplomata.
Outros dizem que, na verdade, o Amor foi encontrado morto por um catador de lixo, que avisou às autoridades. De olhos abertos, solícitos de piedade, o corpo encolhido. Dormira na rua; morreu de frio.
Alguns divergem dessas versões. Ele teria morrido sem sofrer tanto, dizem. Após jogar dominó com os companheiros de asilo, recolheu-se contente ao quarto. De manhã, na hora do café, sentiram sua falta. Continuava na cama. Na boca, um sorriso. Num dos olhos, estranhamente, uma lágrima parada.
- Morreu em paz - foi o comentário.
A família não compareceu ao enterro. Por falta de tempo, talvez.
Discute-se, porém, a possibilidade d'Ele não ter morrido.
Não estaria passando bem, é verdade. Mas resistiria bravamente às maquiavélicas tentativas de exterminá-lo da face da Terra.
Desconfia-se que algumas pessoas estariam tratando de seus ferimentos num abrigo antimíssil. E que, apesar de quase não saírem à luz do dia, e o alimento ali ser escasso, o Amor rejuvenescera suas esperanças. O Amor teria afirmado, serenamente, que a guerra só lhe dava mais forças para continuar vivo, resistindo sorrateiramente nos corações humanos.
Há também a suspeita de que inúmeras pessoas compartilham com Ele do calor da noite. E Ele inflama seus corações de generosidade e de um corajoso otimismo.
Acredita-se que há um bom número de lares que não O expulsaram do seu convívio. Nessas famílias, o Amor continua encarando sem alarde as emoções que lhe tocam: rindo, chorando, olhando, gozando, entristecendo... Nocauteando com um humor fino e peculiar as forças adversas: ódio, inveja, rancor...
Não. O Amor não morreu.
Vive dias difíceis, sem dúvida. Mas pulsa. Pulsa teimosamente.
E as ondas do seu pulsar atingem ouvidos e corações sensíveis.
Organiza-se subversivamente em catacumbas, como os primeiros cristãos. Questiona o poder e seus representantes, cujo ódio ao povo transparece em todos os atos. Esse povo que só pede algumas migalhas de amor, nada mais.
O amor está vivo sim. Pode estar pensativo, pouco à vontade, preocupado, inquieto em seu imo. Filosofa: como unir de novo o ser humano à sua mãe Terra; como organizar um governo onde o Ministério do Amor seja o mais importante dos ministérios; como espalhar aos quatro ventos a ideia, esquecida, espezinhada, de que a fraternidade é que é o óbvio, não a guerra.
Silencias um pouco. Ouves. Ousando levantar a voz contra a anti-música das guerras e chacinas, bocas sussurram planos para a eternidade e se beijam.
Ouves. Um balbuciar de criança e o mistério do seu sorriso.
Ouves. São planos comuns que braços sofridos fraternalmente tentarão erguer. Estão com fome. Mas sonham.
Tudo isso só prova uma coisa: o Amor não morreu.
Pio XII, Maranhão, 17/05/1999.
quarta-feira, abril 18, 2012
Maria
quinta-feira, dezembro 08, 2011
Zé
quinta-feira, novembro 24, 2011
Somos todos africanos
sexta-feira, julho 29, 2011
O Departamento
Era uma moderna prefeitura do interior do país. E aquele era um dos seus departamentos mais importantes: o importantíssimo Departamento Municipal de Impostos e Taxas. Sinal da modernidade do Departamento era que um moderníssimo computador e uma impressora ainda mais moderna estavam lá, em suas respectivas caixas. As caixas – novas e lacradas – davam ao Departamento um ar de perfeita modernidade. E, embora, ainda estivessem nas caixas, só a presença daqueles avançadíssimos instrumentos naquela repartição pública mostravam que as coisas jamais seriam as mesmas e que o prefeito cumpria a promessa feita há três anos de modernizar o Departamento (evidente que os cidadãos torciam muito para que aquelas caixas não ficassem lacradas por mais três anos).
Era naquele Departamento que os cidadãos cumpriam com o dever cívico de pagar os tributos municipais e contribuir com o desenvolvimento da cidade. Aquele cidadão, o senhor Hamilton Bandeira, recém-chegado à cidade, ia fazer exatamente isso: legalizar a pequena propriedade rural, há pouco adquirida, e pagar o imposto devido. Foi muito bem recebido pelo senhor Hidelfonso de Alencar, dedicado funcionário do Departamento, que solicitou ao senhor Hamilton Bandeira que apresentasse o documento, a escritura do imóvel. Deveria deixá-la e, no dia seguinte, vir buscar o documento novo e pagar o imposto devido. Hidelfonso guardou a escritura na primeira gaveta que encontrou. O senhor Hamilton Bandeira agradeceu e prometeu voltar no dia seguinte.
Quando o Secretário Municipal de Finanças chegou, o respeitável senhor Homero Feitosa, o eficiente Hidelfonso de Alencar comunicou-lhe sobre a visita do senhor Hamilton Bandeira e que este voltaria no dia seguinte para legalizar seu imóvel e cumprir com suas obrigações tributárias. Por estar naquele dia com uma forte dor de cabeça, o secretário municipal adiou para a manhã seguinte a emissão do documento do senhor Hamilton Bandeira.
Só que, à noite, o vigia do Departamento – o senhor José do Nascimento da Silva, popularmente conhecido como João Cambão, trabalhador incansável, apesar dos seus 65 anos – resolveu fumar. Até aí nenhum problema, exceto a atitude politicamente incorreta de João, o vício do cigarro (vamos dar um desconto para ele: o coitado levara uma vida difícil na roça, era órfão de mãe e o pai o tratara a vida toda como um animal).
Pois foi que, para fazer o seu cigarrinho de pacaia, João Cambão precisava de papel. Abriu a primeira gaveta que encontrou, aquela dita cuja gaveta, retirou de lá a escritura do senhor Hamilton Bandeira e fez com ela um gostoso cigarro.
Depois de mais alguns cigarros e aquela conversa de calçada típica do interior do país, João Cambão foi dormir. Dormia no próprio Departamento, é claro. Assim, puxou o colchão velho e esburacado que guardava por trás do armário do Departamento, colocou-o sobre a mesa e ajeitou-se para o sono. Cumpria assídua e pontualmente sua jornada de trabalho: só despertava às 6 da manhã, quando se levantava e ia para casa.
No dia seguinte, o secretário municipal procurou a escritura para providenciar a emissão do imposto do senhor Hamilton Bandeira, mas não a encontrou (pudera: tinha sido fumada por João Cambão...). O senhor Homero não entendia, pois o sempre eficiente Hidelfonso de Alencar, seu subordinado, lhe dissera que a escritura estava na gaveta... Para completar, nada de Hidelfonso chegar.
Quem chegou foi o senhor Hamilton. O secretário municipal pediu que esperasse um pouco, enquanto aguardava a chegada de Hidelfonso para lhe repassar a escritura.
Enquanto Hidelfonso não chegava, Hamilton e Homero iniciaram um importante diálogo sobre a modernização do serviço público, aspecto visivelmente presente naquele departamento, nas caixas novas e ainda lacradas, contendo um computador de última geração e uma impressora. Possuía scanner também? – perguntou o senhor Hamilton.
- Com certeza, respondeu o secretário municipal (embora não soubesse o que é um scanner, mas por se tratar de uma palavra estrangeira, devia ser um objeto imprescindível).
Para o senhor Homero, a conversa servia para distrair, passar o tempo, enquanto esperava uma saída para o impasse de não saber onde estava o documento do senhor Hamilton Bandeira. Mas eis que chega o eficiente funcionário público Hidelfonso de Alencar (atrasado? isso não era normal).
- Pronto, o funcionário chegou.
O secretário municipal sentiu-se aliviado, Hidelfonso com certeza saberia do paradeiro da escritura do senhor Hamilton.
- Eu e o senhor Hamilton estávamos esperando por você, Hidelfonso.
- O senhor não providenciou o documento dele ainda não? – perguntou Hidelfonso ao seu superior.
- Não, estava esperando você para me dizer onde está a escritura.
- A escritura do homem aqui?
- Sim.
- Tá na gaveta.
- Não, não está Hidelfonso. Por acaso, você não teria guardado-a em outro lugar?
- Não, eu guardei nessa gaveta aí que o senhor abriu, sim, nessa aí.
- Não está.
E, Hidelfonso, com a espontaneidade que lhe era natural:
- Então, se não tá aí é porque João Cambão fumou!
E, o secretário, que ainda tentava manter no Departamento a falsa aparência de modernidade, fingindo desconhecer os hábitos de João Cambão:
- Não, Hidelfonso, você deve estar enganado. João Cambão não faria isso!
- Ele faz!
E, puxando o colchão velho, atrás do armário:
- Olha o colchão dele aqui; é aqui que ele dorme.
Depois disso, diante do silêncio estupefato do senhor Hamilton Bandeira, não se falou mais na modernidade do Departamento. Na verdade, não se falou em mais nada.
quarta-feira, março 30, 2011
Quem somos nós?
Certa vez trabalhava como recenseador e tinha que visitar uma área perto da zona rural. Dirigia-me a pé para o local. Na minha frente uma imagem sutilmente poética: um velhinho negro montado num jumento, protegido do sol por um guarda-chuva aberto com o rosto da cantora Madona. “Ela” sorria para mim, indiferente ao caminhar pacífico do jumento sob um sol de 40 graus.
O velhinho parou numa bodega no meio do caminho, eu continuei. Cheguei no local e comecei meu trabalho. Perto do meio-dia, parei diante de uma casinha de taipa, meia-porta aberta, para aplicar meu último questionário. Bati palmas. Lá de dentro um cachorro respondeu-me com alguns latidos fracos. Um menino abriu por completo a porta e repreendeu o cachorro:
- Quieto, Spike!
Apresentei-me e perguntei por uma pessoa adulta. Quem saiu foi justamente o velhinho-de-guarda-chuva-Madona. Educadamente, pediu-me que entrasse. A sala, pequenina, possuía uma mesinha contendo imagens de santos. Entre outros, São Sebastião e diversas Nossas Senhoras. Na parede, uma foto de Van Damme.
Iniciei o questionário. O velhinho respondia-me cheio de tédio e monossílabos. No meio da pesquisa, a pergunta “fatal” sobre cor ou raça: negro era uma das opções. O velhinho, como eu disse, era negro. Esperei sua resposta, que veio depois de alguns segundos de reflexão:
- Branca... Meu pai tinha o cabelo liso e minha avó os ói azul... Eu tenho escurecido por causa do sol... Por isso eu só ando agora de sombrinha.
... Antes de ir embora, aproximei-me da mesa dos santos. Onde estava Nossa Senhora Aparecida? Não estava. Seria coincidência? Não ousei perguntar pela santa, diante do olhar amedrontador do ator belga Jean Claude Van Damme...
Publicado originalmente em: http://www.axess.im/gilceniomidias
sexta-feira, janeiro 22, 2010
(Sem título)
O primeiro estrangeiro que a encontrou, brincando entre palmeiras, considerou-a amável, pacífica, digna. Mas essa doce impressão se desfez quando outro homem, também estrangeiro, invadiu a sua casa, chutou os seus brinquedinhos de ossinhos de pequenos animais e sabugos, e abusou da pobrezinha sem o menor escrúpulo.
Mas não parou aí. Outros homens continuaram a violentá-la com sordidez e escárnio. E, cedo cedo, ainda menina, viu-se prostituída, enquanto ia vivendo entre esmolas e violências. Já não tinha mais o olhar lívido de uma criança imaculada e o corpo exibia cicatrizes, marcas de violações e gravidezes não escolhidas.
Cresceu entre a sarjeta, a piedade pública e a exploração privada do seu corpo e sua alma, até transformar-se nessa presença fantasmagórica.
Hoje saiu à rua e recebeu a atenção (mas por razões diversas) que só recebia quando era uma jovem apta ao trabalho braçal: saiu à rua e começou a vomitar; e o que parecia um vômito comum, logo se revelou bem diferente, pois regurgitava não restos de comida, mas os próprios órgãos e outros constituintes internos do corpo: rins, dentes, costelas...
Por isso que os vizinhos e até moradores de mais longe lhe emprestam tamanha atenção, pois jamais tinham visto tragédia pessoal tão estranha e tão intensa, a de um pobre ser a vomitar-se destrutivamente, deixando à mostra pedaços seus que antes lhe eram tão vitais, vísceras e partes que compõem a constituição de toda e qualquer pessoa, expostas nas ruas, regurgitadas ao faro faminto dos cães.
Está vindo o socorro, mas há danos irreversíveis e a alma está arrasada.
Pobre Haiti.
sábado, dezembro 05, 2009
domingo, julho 26, 2009
Súplica nordestina
Passou o 19 de março, sem chuva, mas a fé de Moisés não diminuiu. Ele, Maria das Graças, a mulher, e o filho Josias rezavam todo dia. Às vezes os três se juntavam a mais um bocado de gente dali, outro bocado dacolá e a reza virava um coro que de longe se ouvia.
Aí chegou abril e foi água! Veio maio – e mais água ainda! Moisés perdeu a casa e os trecos e só não perdeu a mulher e os filhos, porque estes se mudaram pra casa de uma comadre na parte alta da cidade um dia antes da maior de todas as chuvas, que arrasou com a vida no povoado.
Com a notícia de que as águas tinham levado seu Praxedes, seu sogro, um velhinho cego e tisquim, Moisés se perguntou: “São José, o senhor tá com raiva de nós por quê? Meu Deus, me diga onde foi que esse povo sofredor errou. Quer dizer que sai da seca e cai no dilúvio?”
Moisés falava sozinho e com Deus, mas Josias estava perto, atento, ouvira tudo e também tirou suas conclusões:
- Deus é mau! – disse o pequeno Josias, que embora só tivesse seis aninhos, já tinha o olhar longíquo e melancólico.
Moisés preocupou-se, pois não queria deixar Deus ainda mais irritado, por isso, disse pra Deus:
- Ligue pra ele não, Deus. Esse bichim não sabe o que diz!
E, olhando para o filho, balançou a cabeça. Moisés era desses tantos pobres sofredores que acham que Deus escreve certo por linhas tortas.
terça-feira, julho 14, 2009
mais um haicai
conjectura de goldbach
você me encanta
domingo, junho 21, 2009
Meus haicais no twitter. Vá lá!
meu pobre haicai
cai como límpida gota
(a chuva já foi)
sexta-feira, maio 29, 2009
quarta-feira, maio 06, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
Eudóxia
Talvez por isso nos escondíamos dela quando ela chegava lá em casa.
Era uma senhora negra que recolhia lavagem na vizinhança. Andava descalça e malvestida.
Quando chegava lá em casa, depois de recolher a lavagem costumava parar para conversar com mamãe, segurando o fétido balde com restos de comida. Educadamente, mamãe ouvia-a como se dispusesse de todo o tempo do mundo para isso. Nós ficávamos observando escondidos e contando os minutos para que ela fosse logo embora, pois o fedor da lavagem espalhava-se pela casa toda.
O mais surpreendente era que Dona Eudóxia - era esse seu nome - não perdia o bom humor: entrava e saía cantando lá de casa. Como ela parecia anestesiada diante da comida podre que carregava, como se fosse tão natural o malcheiro...
Pobre dona Eudóxia... Mas, como já disse, éramos crianças, e muito sinceras em nossos medos e em nossos ascos. Não, não estávamos ainda contaminados pelos preconceitos que adoecem a humanidade. E, no caso da minha família, esse mal não haveria de nos atingir. E, apesar de evitarmos cruzar com Dona Eudóxia, ela sabia que em nosso lar tinha a liberdade de contar as suas histórias sem represálias, sem se sentir menos gente por ter como tarefa de toda manhã carregar um balde de lavagem pelas ruas do nosso bairro...
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
O rapaz que lia romances
Nunca foi tão difícil ler romances. Este rapaz sabe disto. Seus colegas de escola não o entendem quando o veem segurando uma obra de 686 páginas como este Dom Quixote de La Mancha que tenho ao meu lado neste exato instante. Não precisa ser obra tão volumosa. Outro dia estava ele a ler A Cidade e as Serras, são apenas 139 páginas, mas eis os seus colegas a perguntarem porque o rapaz lia aquilo. Seria para o vestibular? Fosse este o caso, existem resumos aos montes, bem como versões condensadas de milhares de livros, disseram os colegas.
Ah, como a vida tornou-se burocrática... Este rapaz quer apenas ler seus romances, sem subordinar isto a finalidades utilitárias ou produtivas. Ele não lê para dissecar o romance em análises ou para prestar concursos. Lê porque gosta.
Seus pais também não o entendem. Sua mãe reclama-se, pois o rapaz passa horas e horas lendo, quando podia estar procurando emprego. O pai também o censura por ler tanto: podia ficar doido ou com problemas de vista.
Também lia quando pegava o ônibus. E naquele dia isto chamou a atenção da moça sentada ao seu lado. Ela perguntou ao rapaz que livro ele estava lendo.
- Martin Eden.
- Ah...
- Conhece?
- Não.
Silêncio. Ele:
- Gostas de ler?
- Gosto.
- Que tipo de livro?
- Autoajuda.
- Ah...
Era uma bonita moça, mas não lia da mesma maneira que lia o rapaz. Mas, otimista, como era, o rapaz sabia que existiam leitores como ele, que adoravam romances, que os liam na alegre expectativa de revelações incomuns, ou na completa ausência de expectativas, movidos tão-somente pelo prazer do ato de ler em si.
Mas, acabamos de saber que há agora uma leitora que está ocupando parte do tempo e da atenção do nosso leitor: passam horas e horas conversando sobre romances e autores. O leitor também a conheceu no ônibus. Os pais de ambos preocupam-se, pois leitor e leitora dialogam em tal sintonia que as pessoas próximas parecem fantasmas amistosos. E lá se vão a pronunciar nomes de pessoas as quais os pais não conhecem: falam de Carlos Bovary, Riobaldo, Blimunda, Sete-Sóis e tantos e tantos... Os pais não se recordam de nomes como aqueles: não são familiares, nem parentes, nem vizinhos ou meros conhecidos, nem personagens de novelas ou seriados da TV.
O rapaz acredita ter encontrado a mulher de sua vida. Sua mãe quer saber porque o jovem leitor de romances acredita tão piamente nisto. E ele não sabe como explicar à mãe.
Não sabemos se conversarão sobre romances por muito tempo ainda, se formarão um casal, se viverão felizes: é difícil fazer previsões tão pessoais num mundo neurótico, perturbado e injusto como este.
Resta-nos, então, compartilhar com o leitor o segredo que ele não compartilhou com a mãe – e que esta com certeza não entenderia: a convicção de que a leitora é a moça dos seus sonhos: basta olhar o quão absorvida estava na leitura de Se um Viajante numa Noite de Inverno e como, com os braços fechados sobre o livro, carrega-o junto ao peito, ao descer do ônibus... Foi amor à primeira vista, coisa que, como bem sabemos, não existe só nos romances românticos do século XIX. Acontece o tempo todo – e na dura vida real – e esta crônica, que não foi inventada, é a prova do que estamos falando.
http://prazeremaprender.blogspot.com
sábado, dezembro 13, 2008
Barroca
aprendi com meu amor
que a vida é simples
há noites escuras
& tardes ensolaradas
invernos & verões
ondas marítimas & lavas vulcânicas
no entanto
as coisas da vida
não acontecem
em tão visível geometria
somos, ao mesmo tempo,
o escuro & o ensolarado
a terra & a lua
a vida não é “clássica”
a vida, companheiros, é barroca.
O poema pode ser visto/ouvido/baixado em versão power point no Gilcenio’s Blog:
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Soneto pra quando eu terminar o ensino médio
Estudar, fazer provas, passar de ano,
Roer unhas, arrancar cabelos, adquirir olheiras,
Dar duro sempre, nunca entrar pelo cano,
Aprender o essencial, não falar asneiras.
E nessa rotina lá se vão onze anos...
Pra outros – doze, treze anos ou um tempo maior.
Servindo café aos neurônios, fazendo planos,
Sonhando com um diploma e uma vida melhor.
E como aprender a enigmática lição:
Como ser herói/heroína, um ser humano resistente
Sem extraviar o sorriso infantil e a imaginação?
Como ser criança e um exímio equilibrista,
Nunca perder a esperança, ser igual e diferente!
................. Vida de estudante é vida de artista!
Oito de dezembro de dois mil e oito, zero horas e vinte sete minutos. Para tod@s @s meus/minhas querid@s alun@s do Centro de Ensino Jansen Veloso e do Centro de Ensino Newton Bello.
clique na figura para ler o poema
